Anda cá!
O semanário Sol, de 18.11.2006, noticia na primeira página que "Sócrates e dois ministros chamam procurador a S. Bento".
"Chamam", significa em bom português que disseram ao PGR, "venha cá". Com ou sem favor.
O caso não merece qualquer referência no Público de hoje, Domingo, apesar de um vice-presidente do PSD, Azevedo Soares, ter já referido que tal chamamento, era inadmissível e punha em causa o princípio da autonomia do MP.
O Diário de Notícias, trata a questão, em artigo de Licínio Lima. Assim:
O procurador-geral da República (PGR) admitiu ontem que esteve reunido terça-feira com o primeiro-ministro, tendo também estado presentes os ministros das Finanças e da Justiça.
O objectivo do encontro foi "analisar os meios necessários e indispensáveis ao combate eficaz à criminalidade económica", explicou Pinto Monteiro em comunicado, reagindo, assim, à notícia do semanário Sol. Segundo este jornal, José Sócrates teria chamado o PGR a São Bento por estar "preocupado com a imagem negativa da banca" no âmbito do processo "Operação Furacão" - que envolve diversas instituições financeiras, nomeadamente o BES, Millennium bcp, Finibanco e BPN.
Acusado pelo PSD de participar numa operação de "completa e descarada" interferência do poder político no poder judicial, Pinto Monteiro fez questão de esclarecer que "reuniões semelhantes têm ocorrido entre membros de anteriores governos e anteriores PGR, com idênticos fins", lê-se no comunicado.
Segundo Pinto Monteiro, o ritmo a que decorrem as investigação daquele processo assim como a necessidade de terminarem rapidamente, para não prejudicarem a imagem da banca portuguesas, não foram tema de conversa naquela terça-feira, tal como adiantou o semanário Sol. Falou-se tão-só da "preocupação do PGR na obtenção de um reforço que torne possível conseguir resultados em tempo útil."
No comunicado, o PGR não explicita que tipo de "reforço" pediu, se financeiro se humano, sendo certo que ainda este ano o ministro da Justiça reforçou o Departamento Central de Investigação e Acção Penal com investigadores e viaturas. De todos os modos, o orçamento para 2007 prevê dotar a Procuradoria- -Geral da República (PGR) com montantes idênticos aos de 2006.
Tem sido regra deste PGR publicitar as suas actividades oficiais no sitio da PGR. A reunião de terça-feira foi excepção, assim como também foi silenciada pelos assessores do primeiro-ministro e dos ministros. Contactado ontem pelo DN, recusaram--se a fazer quaisquer comentários.
"Completa e descarada interferência", acusa Azevedo Soares
Para o vice-presidente do PSD, Azevedo Soares, tratou-se de "uma completa e descarada interferência do poder político no poder judicial" , conforme disse ao DN. Para Azevedo Soares, mais do que da imagem da banca, "o Governo tem obrigação de preservar a todo o custo a imagem e o funcionamento da justiça".
O PSD acha que "o procurador- -geral não está isento de reparo": "O PGR não deve permitir que o poder político interfira num processo que está sob a sua acção", diz Azevedo Soares, para quem a reunião com o Governo "é inaceitável". "Porque não, amanhã uma reunião com a Comissão Permanente do PSD, que entende que é necessário andar mais depressa com este ou aquele processo?", interroga-se o dirigente do PSD.
CDS, PCP e Bloco não partilham das críticas do PSD. "Presumo que trataram de assuntos de Estado", disse ao DN Ribeiro e Castro. Para o Bloco de Esquerda, o "problema fundamental" é que "a investigação se desenvolva com a máxima rapidez".
Aparentemente, o PGR continua em estado de graça, em certos jornais.

